terça-feira, 10 de março de 2009

CHUVA

"Sob um candeeiro, à chuva fria, Miguel cruzou-se com ela que sorria, ofertante. Pegou numa nota.
─ Toma.
Ela aceitou-a.
─ Passa bem.
─ Que é isto! Eu não estou a mendigar...
Ele aproximou-se, pôs-lhe a mão num braço e apertou-lho com simpatia.
─ Eu sei. Isso não é uma esmola. É para te ajudar a ires para casa. Numa noite destas estás lá bem melhor.
Os olhos dela brilharam e o sorriso de fivela desapareceu. Quando Miguel se voltou para ir embora, teve a impressão de que aqueles luzeiros bonitos, castanhos e tristes, marejavam.
Talvez fosse da chuva."
::::
Autor: José Pereira da Graça

3 comentários:

DOCETERE disse...

Se muitos homens procedessem como Miguel, certamente o problema das designadas tb "mulheres da rua", suponho que não teriam tanta necessidade, no caso de ser para viver ou por imposição de outrem e de se degradarem dia após dia , noite após noite...Simples opinião!!! Obrigada ao autor que enviou o texto ...Abraço

Carmem disse...

Muito bom o texto!...

Belo Blog!

Bjo

DOCETERE disse...

Obrigada.

Doces afectos