terça-feira, 23 de novembro de 2010

O silêncio

Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,


e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,


quando azuis irrompem
os teus olhos


e procuram
nos meus navegação segura,


é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,
pelo silêncio fascinadas.


Eugénio de Andrade, in "Obscuro Domínio"

2 comentários:

JOE ANT disse...

Palavras desamparadas...
Como desamparado estava o autor.
Aliás, toda a sua vida foi dominado
pela "obscuridade" a que quase foi votado.
Neste país "mata-se" a Cultura.

TERE disse...

Não apoiando a devido tempo...quase ignorando quem é capaz de "mais pensar" e "melhor fazer"