sábado, 13 de novembro de 2010

Poemas da Eugénio de Andrade

....
"Passamos pelas coisas sem as ver,

gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos"

::::
«No teu peito
é que o pólen do fogo
e junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha."
***

4 comentários:

Mai disse...

A vida que é tecida em fios de tempo.

abraços

Thereza Green disse...

Amei a sua poesia,sensibilidade à flor da pele e muita emoção....Beijos poéticos

TERE disse...

..Numa urdidura que pode durar mais ou menos..ser mais ou menos resistente..acho isso , né Mai?

Abraço

TERE disse...

Thereza..poesia sim mas de Eugénio de Andrade esta...conforme está supra identificada...
Mas a minha sensibilidade é quase sempre mesmo à flor da pele. Bjs