Há 31 anos, no dia vinte e três era segunda feira. Cheguei ao trabalho e surpresos alguns colegas questionaram?
- Ainda aqui, não nasceu no fim de semana... ainda a trabalhares?-respondi calmamente:
-Só nasce hoje à noite...vou ao fim da tarde para o Hospital. Ficaram estupefactos pela minha boa disposição e pronta para trabalhar até às 13h 30 m, indo depois almoçar. Como se aperceberam que ia fazer o trajecto a pé para casa(em Bragança as distãncias não eram na altura muito alongadas) mas houve um colega que achou que não me deviam deixar-me ir com aquela barrigona a pé, não fosse ainda começar a ter dores no percurso. Sabiam da minha valentia mas não quiseram arriscar ...
Ia nascer o meu segundo filho que na altura não se sabia se seria menina se outro menino, já que não havia como agora a possibilidade atempada de ter esse conhecimento....A maioria falava em menina... o próprio médico asistente...
Eu retorquia:
-Vai ser outro rapaz , embora tal intuisse a certeza eu não tinha. O certo é que na mala do bébé não havia nada cor de rosa...pois na altura a importância dada à cor da roupinha entre, pelo menos o azul para rapaz e o rosa para menina era maior do que actualmente.
Almocei e fui já acompanhada tomar café ao Flórida como era costume diário... Pelas 16 horas fui a casa deixar tudo organizado organizadas e buscar a mala para ir para o Hospital ser observada...já que nunca fui muito de "sentir" dores físicas, e outros sintomas ainda não tinha mas depois de ser observada por uma enfermeira, aproximadamente a esta hora ( há 31 anos) e ela ter ligado ao médico a dizer do ponto da situação, já não saí do Hospital nem da sala de partos...Vai ser hoje- respondeu o médico pelo telefone prometendo deslocar-se para lá mesmo antes de ir jantar o que aconteceu.
Deitada e com soro assisti a outros partos de pessoas que chegavam de longe, já quase para a criança nascer, senti essas mulheres gritarem com as dores do parto,crianças chorar mal saíam do aconchego de cerca de nove meses...O médico que se delocou do Centro de saúde para o Hospital directamente só foi jantar ter nascido o "meu rapaz"...3 minutos depois da meia noite...por isso já dia 24...Os parabéns ficam para amanhã...A esta hora quem estava ansiosa era eu talvez o pai que permaneceu para assistir ao nascimento e minha querida mãe que tinha ficado em casa para "tomar conta" do mais velho...
Não estava nevoeiro mas noite de chuva e vento, a valer, com o frio de Janeiro naquela cidade trasmontana...
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TERE
3 comentários:
Mitezinha,
eu tbm há 28 anos atraz passei pela experiencia de segurar nos braços a minha primeira filha... era uma menininha linda, rosadinha e ainda suja de sangue, quando a peguei (o médico a pusera sobre a minha barriga)foi uma emoção sem par... aí, 4 anos depois, a alegria se repetiu e veio mais uma menininha...
Ãntes de ser mãe a gente pensa que nunca irá gostar de alguém mais do que dos pais e irmãos, aí vêm os filhos, e quando surge um confronto é que vemos que não há ninguém mais importante em nossas vidas... e nem podia ser diferente, né? afinal, são uma parte de nós.
Beijos
Gracilene Pinto
Ah valente!
É isso Gracilene...nada como que ultrapasse o amor pelos nosos filhos.Para ti e tuas filhotas votos de muita alegria, paz e amor...tanto como por palavras consegues transmitir. Um xi coração de
Mité/Tere
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